quarta-feira, 24 de novembro de 2010



O medo é uma coisa engraçada. Eu sempre digo que não acredito em Deus, capeta e afins mas constantemente me deparo com situações pseudo-sobrenaturais que me assustam. Hoje estavámos no ponto de ônibus eu, Clenis, Iarinha e Candymel, no mesmo metro quadrado uma idosa, gordinha, mancando que carregava uma bolsa preta e uma sacola de supermercado. O 193 passou, e depois outros e outros.
Conversávamos sobre férias, a senhora entrou no assunto, disse que nunca teve férias em 47 anos de serviço prestado em Goiânia
-Mas por quê? - perguntei
-Aaah me casei por bruxaria, não suportava meu marido então preferia trabalhar dia e noite pra não ficar perto do "homi".
PRONTO! Todo mundo se roendo de curiosidade pra saber como é casar por bruxaria. Teria ela feito um pacto espantoso pra ter filhos, dinheiro, viver pra sempre, entrar no avião com Os Mamonas Assinas?
Eu adoro idosos, depois que 10 meses de trabalho na CMAC de Goiás não teve como não me render aos encantos de cabelos grisalhos e blusinha floral. Estiquei o papo com a senhora e ela disse que estava com medo de ficar lá sozinha, que o ônibus dela não passava logo, e que gostaria de tomar o 193.
A Mel entrou no ônibus e nós, que ficamos, não tivemos coragem de deixar a senhora abandonada às 23:30 na rua, continuamos nossa conversa amiga:
-Mas o 193 passou agorinha.
-Eu não estava aqui ainda (Rá, mentira, estava sim)
A idosa sentou-se ao meu lado, senti um calafrio tenebroso, abriu a bolsa, tirou um Derby Blue (!) me pediu o "fogo". Enquanto fui procurar nos bolsos do vestido um taxi, com os faróis desligados parou em frente ao ponto, a velhinha segurou meus braços e dois caras encapuzados desceram do táxi e amarraram Clenon e Iara, tentaram nos jogar no taxi mas o porteiro do prédio ao lado viu, chamou a polícia...
Tá, parei. Era tudo verdade até o calafrio. A velhinha tinha um olhar sinistro, não olhava nos olhos, e estava SOZINHA NO CENTRO DA CIDADE às 23:30 falando de bruxaria. Quando chegou um rapaz no ponto de ônibus viemos pra casa, todos com medo, um certo remorso e frustrados por não participarmos de uma lenda urbana ou virarmos conto de suspense pra parar num livro do Hitch (meu grande amigo).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

31/10/2010

No primeiro turno mordi a lingua e votei na Marina, no segundo turno confesso que a empatia da Dilma não me conquistou, mas decidi acreditar que essa mulher da cara feia e do sorriso amarelo conseguiria sim dar continuidade a um governo maravilhoso que contribuiu para o crescimento do país.
Um dia depois do resultado das eleições estou espantada em como a construção da democracia parece incomodar algumas pessoas, não é sempre que nossos candidatos vencem e a derrota não nos dá o DIREITO de ofender os outros. O twitter e facebook viraram um portal de xenofobia,nunca li tantos absurdos, esse foi via twitter ‎:Região Centro-Sul sustenta oBrasil [maior PIB], mas qm escolhe o presidente é o Nordeste [sustentados pelo Centro-Sul]. #BolsaIgnorância ¬¬".
Eu espero, sinceramente que essa gente morda a língua e acabe se dando bem no mandato da Aerodilma. Essa juventude que tem a audácia de colocar nos TT's do twitter a divisão do Brasil em duas esferas, Sul/Sudeste Norte/Nordeste, tem muita coisa pra aprender sobre democracia, que tipo de elite pensante defende xenofobia ou elege gente como Tiririca?
E não me venham com essa bobagem de Dilma guerrilheira queridos, um jovem brasileiro que viveu no fim dos anos sessenta se sujeitar aos absurdos da ditadura é que seria vergonhoso, gostaria muito ela tivesse participado efetivamente do assalto a casa do "rouba mas faz" Adhemar de Barros, por exemplo. Sinto orgulho de ter participado da eleição de Dilma à presidência, e vergonha de muitos compatriotas nesse momento.

sábado, 28 de agosto de 2010

Muito sobre quase nada.

Sinto muito sobre coisas pequenas e não sinto em grandes feitos. Não sei se é um problema cognitivo, mas é assim que funciona aqui dentro.
Aqui dentro, estou sempre falando das mesmas coisas, de mim mesma e sentindo demais por quem menos importa, eu. Querendo que o mundo inteiro pare porque ainda não aprendi a conviver bem comigo mesma. E quanto mais vou deixando o mundo, mais longe me sinto dele, e pior fico, e quero que ele pare ainda assim.
Sinto muito em mim e nos outros, mas as vezes é tarde. Queria passar mais tempo com meus amigos, ser uma pessoa mais aberta, me sentir à vontade nos lugares, e próxima de quem eu amo. Amo tanta gente, mas estou sempre tão longe.
Não quero mais escrever. Não agora.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu falo muita merda porque quero calar meus pensamentos.
Você já sentiu que todos os sentimentos do mundo estavam prestes a explodir dentro de você? Há algum tempo me sinto assim, preciso de umas férias aqui dentro.
Eu falo muita merda porque quero calar meus pensamentos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Peso nas costas, e a sensação de não me pertencer mais, estou agoniada. A sensação de não caber aqui dentro é recorrente e eu não sei como lidar com isso, não importa o quanto escreva, diga, grite ou me cale, já tentei de tudo, e continuo não cabendo. Não caibo nas minhas roupas, minha imagem não cabe no espelho, meus pés não cabem nos meus sapatos, minha alma cresceu mas meu corpo parou! E juro que não estou usando roupas infantis, também nãm engordei tantos quilos assim.
No meu círculo social não tem espaço suficiente, sem essa de complexo de gênio incompreendido, simplesmente não cabe diferença.
O relógio desencaixa meu raciocínio, me sinto robótica, meu corpo funciona mas a mente não. Pareço estar enlouquecendo, sinto meus olhos arderem todo o tempo e um desconforto enorme por toda a parte. Eu não sei se o nome disso que faz com que cada um seja (quase) único é alma, mas seja lá o que for, o meu "preenchimento" está com defeito. Deve ser um problema químico, alguma coisa com enzimas, encimas ou embaixos, meu complexo de golgi está aumentando e eu não vou pra terapia!

27 Filmes que eu preciso ver até o final do ano

1- Cinderela - Méliès
2- Viagem à Lua - Méliès
3- O nascimento de uma nação - Griffith
4- O lírio partido - Griffith
5- O Gabinente do Doutor Caligari - Robert Wiene
6- A mãe - Pudovkin
7- A greve - Eisenstein
8- O encouraçado Potekim - Eisenstein
9- La age dor - Buñel
10- Chantagem e Confissão - Hitchcock
11- M. o vampiro de Dusseldorf - Fritz Lang
12- Aplausos - Mamolain
13- O médico e o Monstro - Mamolain
14- Os reis do iê-iê-iê - Lester
15- A honra perdida de Katharina Blum - Volker Schlöndorff e Margarethe von Trotta
16- Marianne and Julianne - Margarethe von Trotta
17- Picardias estudantis - Amy Heckerling.
18- Procura-se Susan desesperadamente - Susan Seidelman
19- Slacker - Richard Linklater
20- Working Girls - Lizzie Borden
21- The thin Blue Line - Errol Morris
22- Amor, sublime amor - Jerome Robbins e Robert Wise
23- Scarface - Brian de Palma
24- Ela quer tudo - Spike Lee
25- Mais e melhores blues - Spike Lee
26- Meu ódio será tua herança - Peckinpah
27- Quando fala o coração - Hitchcock