quarta-feira, 14 de julho de 2010

Peso nas costas, e a sensação de não me pertencer mais, estou agoniada. A sensação de não caber aqui dentro é recorrente e eu não sei como lidar com isso, não importa o quanto escreva, diga, grite ou me cale, já tentei de tudo, e continuo não cabendo. Não caibo nas minhas roupas, minha imagem não cabe no espelho, meus pés não cabem nos meus sapatos, minha alma cresceu mas meu corpo parou! E juro que não estou usando roupas infantis, também nãm engordei tantos quilos assim.
No meu círculo social não tem espaço suficiente, sem essa de complexo de gênio incompreendido, simplesmente não cabe diferença.
O relógio desencaixa meu raciocínio, me sinto robótica, meu corpo funciona mas a mente não. Pareço estar enlouquecendo, sinto meus olhos arderem todo o tempo e um desconforto enorme por toda a parte. Eu não sei se o nome disso que faz com que cada um seja (quase) único é alma, mas seja lá o que for, o meu "preenchimento" está com defeito. Deve ser um problema químico, alguma coisa com enzimas, encimas ou embaixos, meu complexo de golgi está aumentando e eu não vou pra terapia!

27 Filmes que eu preciso ver até o final do ano

1- Cinderela - Méliès
2- Viagem à Lua - Méliès
3- O nascimento de uma nação - Griffith
4- O lírio partido - Griffith
5- O Gabinente do Doutor Caligari - Robert Wiene
6- A mãe - Pudovkin
7- A greve - Eisenstein
8- O encouraçado Potekim - Eisenstein
9- La age dor - Buñel
10- Chantagem e Confissão - Hitchcock
11- M. o vampiro de Dusseldorf - Fritz Lang
12- Aplausos - Mamolain
13- O médico e o Monstro - Mamolain
14- Os reis do iê-iê-iê - Lester
15- A honra perdida de Katharina Blum - Volker Schlöndorff e Margarethe von Trotta
16- Marianne and Julianne - Margarethe von Trotta
17- Picardias estudantis - Amy Heckerling.
18- Procura-se Susan desesperadamente - Susan Seidelman
19- Slacker - Richard Linklater
20- Working Girls - Lizzie Borden
21- The thin Blue Line - Errol Morris
22- Amor, sublime amor - Jerome Robbins e Robert Wise
23- Scarface - Brian de Palma
24- Ela quer tudo - Spike Lee
25- Mais e melhores blues - Spike Lee
26- Meu ódio será tua herança - Peckinpah
27- Quando fala o coração - Hitchcock

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Where is my mind?
I feel so lost and alone
Yesterday I saw thunders, I listen many voices, I cry
NO, I'M NO DRUNK
I'M SAD, and I don't know what I've suppose to do.

My body hurt, my heart is sad, my mind is crowded.
Sorry, to me, for u, and u, and u.

I think I'm losing control again.
Começo a ficar corcunda, preciso abandonar essa idéia ridícula de carregar o peso do mundo em minhas costas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sexta em maio

Todas essas letras que escrevi, bem como as palavras que você não disse. Era só junho. Eu sempre pensei que folhas secas sumissem. Era só Junho, era frio, era metade, mas meus olhos só descansavam ao seu lado, Junho.
Por que não dizer? Detesto quem se esconde.
Junho, eu esperei que você disesse, que bobagem, os animais só conversam em fábulas.
Não, não foi amor. Era uma presença confortável. Tão aconchegante que me irritava. Quem diria que um encosto macio quase partiria meu coração. Ah, Junho.
Nunca me doei por um travesseiro, mas em Junho também havia fumaça, estrelas e ronco. Em Junho sorria, e Junho me fazia mudar de sentimentos rápido, gostava de testar meus limites. Junho me fazia criança, me fazia vadia, me fazia gritar. Mas era só Junho na minha alma.
Hoje troco Junho por um copo de cerveja e meio maço de cigarros. Junho me troca por não sei o quê. Afinal em Junho, ninguém se importa.

sábado, 10 de abril de 2010

Narcisismo inverso

Gosto de ser feia, de espantar gente bonita, sinto pena nos saudáveis. As faces coradas e cabelos mui sedosos me irritam.
Minha estranheza vela uma essência podre. A parte secreta que nem eu conheço tomba para os extremos do sagrado ou profano, nunca neutra. Apesar de não saber em qual ponto paira meu eu, estou certa de que não estou no meio. Não creio em equilíbrio.
No meu rosto vulgar estão os medos do mundo inteiro. Conheço todos os sonhos, mas não possuo nenhum, desvendei tanta gente e descobri pouco sobre o que interessa: Eu.
Sou feia porque desaprendi a amar, porque perdi a fé nos homens, porque não acredito em Deus. Sou feia, não morreria por minha pátria, não luto por nenhuma ideologia e acho gente cristã babaca.
Sou feia, minha vida se resume a noites agitadas,dias preguiçosos, fumaça e embriaguez. O tempo se arrasta, e tudo que tento agarrar, corre! Todos que amei foram embora, se tornaram bonitos demais pra ficarem perto, eu não suporto beleza.
Por isso soul só, e só sou quando me vejo no espelho, quebrado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A boneca azul

Sempre gostei de escrever em lugares sem linhas, na folha branca, pura, lisa. Quando era criança ignorava os limites do caderno de caligrafia e a bobagem de letra arredondada, acho que a liberdade do pensamento tem amarras demais para se sufocar nessas banalidades. Gostava de fazer desenhos no meio das frases:um dia de (desenho de um Sol), a (desenho de menina) bonita, a (desenho de estrelas e lua) escura, desenho de cruz) é bom, estava :D. Me mandaram para a psicóloga que me pedia para desenhar, mas eu fazia uma redação.
Afinal qual a diferença entre um texto e um quadro? As vezes é mais fácil acorrentar o pensamento nas palavras, outras não. O fato é que ainda não entendo porque não desenhar em provas ou escrever em quadros, é preciso umacerta autonomia para ser livre e dizer?
Platão me odiaria, para ele mais valia um pequeno relato sobre um dia chuvoso levantando hipóteses de porque chove que um: Hoje (desenho da nuvem com gotas caindo) porque o (desenho do sol) evaparou a (desenho de um rio) e ela virou um montão de (desenho de nuvens) que viraram (desenho de gotas de água). Aristóteles, talvez, me achasse genial (eu teria dez anos). Mas minha professora achou que eu fosse louca e me mandou para a psicologa, que detectou uma capacidade associativa enorme em minha mente.
Noutro dia fui pega organizando uma reunião "secreta" dentro daquele brinquedo com tambores, sabem? Chamei todas as meninas e queria ATACAR o clube dos meninos. Eu amava a Mônica, mas não tinha um Sansão, então tirei a roupa da minha Barbie, pintei a boneca de tinta guache azul (ficou linda), e só a segurava pelos cabelos. No ápice do meu discuro infanto-feminista a Tia Gris me fraglou rodando a barbie-sansão pelos cabelos, incitando as meninas a jogarem no vaso os lápis dos meninos.
Beirando os vinte anos, continuo substituindo palavras por desenhos, aulas por discussões acalouradas e pseudo-revolucionárias, e ainda quero jogar no (desenho de vaso sanitário) as coisas dos meninos (desenho de "bibiu"), que tratarei de cortar com minhas (desenhos do edward mãos de tesoura).
Ps: escrevo sobre banalidades, memórias e outra coisas pequenas porque sou banal, desinteressante e egocentrica demais para solucionar sistemas mais complexos que o que penso e sinto.