Hoje, mesmo que só hoje, eu poderia abraçar o mundo inteiro.
Poderia ir embora, viajar, andar pra longe e não voltar mais, ou voltar, por que não?
O fato é que poderia ir pra bem longe, beijar a vida, conhecer cada fala e cada olhar, apreciar todos os gestos e depois voltar pra quem sou.
Ou me perder por ai, possivelmente ser uma nova pessoa.
Mudar mais uma vez, o que é mais uma vez pra quem já mudou milhões?
Mas hoje, e amanhã vou ficar bem aqui, pensar em tudo que vou viver depois,
viver pouco e contidamente da forma que se deve ser.
Porque para ser vivo precisa-se de ser contido primeiro.
Mesmo que eu não queira, mesmo que precise me perder pra me sentir inteira.
Vou ficar presa toda dentro de mim, sem que nenhuma parte saia,e depois
Depois vou ser completa pelas metades, vou deixar metades por todos os lados
metades de metades, terços, quartos,
E assim vou ser todo o mundo, todo mundo e tudo mais que houver.
Vou me perder, perder muito, vou dizer tudo que vejo exatamente como quero dizer
E fazer com que enxerguem como eu, vou gravar olhares, mãos e gestos.
Eterniza-los.
E quer saber, vou escrever até que meus dedos caiam, e não ligo se não sou mestre em retórica,
concordânca, se me esqueço de regras de gênero, número e grau.
Vou ser, escrever, fotografar.
Pra sempre, até o último fôlego, viver de dizer, como eu sempre quis.
Mas hoje? Hoje vou voltar pro meu mundo e firmar meus pés nos chãos
deixar que só o pensamento divague. Vou andar pelas ruas com sapatos que cansam meus pés,
me sentar em uma cadeira de frente a um computador e ouvir tudo o que têm a me dizer pelos malditos fones de ouvido.
Amanhã também será assim, mas e depois?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Eu sou covarde, mas não uma covarde qualquer. Uma covarde acima de qualquer limite de covardia. Tão covarde, mas tão covarde que não consigo encarar as coisas como elas são. Tudo parece doer quando analisado de perto, tudo faz sofrer se for realmente observado. E sabe qual o problema? eu não sei olhar pela metade, ou vejo tudo, ou não vejo nada. E como ver dói tanto, procuro fulgas, modos de ficar mais cega, de ver menos, sentir menos, drogas pra me causar apatia, ou um pouco de felicidade, que seja. As relações parecem tão superficiais, e as pessoas são descartáveis, substituíveis. Inclusive eu. Viver em ecstasy as vezes cansa, mas lucidez me faz um mal maior que cansaço. Falar sobre os outros é simples, analisar e entender todo mundo, todo o mundo, é tão banal. Agora dizer o que vejo, como vejo, o que sinto, como e tentar explicar os motivos desse turbilhão de coisas é impossível, meu sonho impalpável, assim como todos os outros que tive um dia. Não sou uma covarde qualquer, sou A covarde
terça-feira, 2 de junho de 2009
A Puta
Como se ao toca-la, queimassem as minhas mãos
meus ohos ardiam e a frieza se substituia por um calor horroroso,
um calor que arrancava meu sossego.
Incomodava minha crueldade.
Agora só quero que ela morra.
Mas naquele dia, todo o sentimento do mundo passou po mim naquele longo minuto, e eu não tinha certeza se gostaria que findasse.
O fio de seus cabelos aquecidos era como um derreter cerebral,
me dava prazer.
Um ser só, me trouxe sensações de amor e ódio.
E não consigo há muito me esconder em teu seio maternal.
Mas quando me lembro desus olhos, muito arrendondados, a inquietude me toma pela mão e me faz correr para longe, bem longe, antes que a mate.
Só para não ter que olhá-los, os grandes olhos.
Queria eu saber se amo.
meus ohos ardiam e a frieza se substituia por um calor horroroso,
um calor que arrancava meu sossego.
Incomodava minha crueldade.
Agora só quero que ela morra.
Mas naquele dia, todo o sentimento do mundo passou po mim naquele longo minuto, e eu não tinha certeza se gostaria que findasse.
O fio de seus cabelos aquecidos era como um derreter cerebral,
me dava prazer.
Um ser só, me trouxe sensações de amor e ódio.
E não consigo há muito me esconder em teu seio maternal.
Mas quando me lembro desus olhos, muito arrendondados, a inquietude me toma pela mão e me faz correr para longe, bem longe, antes que a mate.
Só para não ter que olhá-los, os grandes olhos.
Queria eu saber se amo.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Por quantos caminhos terei de passar até descobrir a que vim?
Mergulho em mim e nada encontro, adentro no canto profundo da minh’alma
Me perco nas valas do meu vazio
Vazio com curvas e becos que não dão em lugar algum
Há dentro de mim mais pessoas que posso contar
Santa imunda
Puta imaculada
Se haviam empecilhos, hoje, não há mais nada
Apenas o grito mudo, a respiração ofegante, os olhos marejados
E mão nervosa que tenta frustradamente encontrar a palavra
Que traduza essa agonia.
A dor que não é dita
Prolixidade daquilo que é omitido
Frieza do omissor
A dificuldade de tocar alguém e de se deixar tocar assusta
Mas a falta de amor próprio assusta ainda mais.
Santa imunda
Puta imaculada
Sou.
Mergulho em mim e nada encontro, adentro no canto profundo da minh’alma
Me perco nas valas do meu vazio
Vazio com curvas e becos que não dão em lugar algum
Há dentro de mim mais pessoas que posso contar
Santa imunda
Puta imaculada
Se haviam empecilhos, hoje, não há mais nada
Apenas o grito mudo, a respiração ofegante, os olhos marejados
E mão nervosa que tenta frustradamente encontrar a palavra
Que traduza essa agonia.
A dor que não é dita
Prolixidade daquilo que é omitido
Frieza do omissor
A dificuldade de tocar alguém e de se deixar tocar assusta
Mas a falta de amor próprio assusta ainda mais.
Santa imunda
Puta imaculada
Sou.
Dessas intensas sensações que me perseguem
Começo a sentir nojo
O que antes me dava imenso prazer hoje me cansa
E já não sinto vontade de praticar nada.
Como tudo que me apetecesse fazer já houvesse sido feito repetidas vezes
E viver se tornasse uma teoria vaga e superficial
Qual o fim de acumular experiências, emoções senão o fim (no sentido real da palavra)
Nada surpreende e empolga a alma fadigada e preguiçosa
Que despreza possíveis emoções
Joga fora o impreciso
E vive só de ar.
Começo a sentir nojo
O que antes me dava imenso prazer hoje me cansa
E já não sinto vontade de praticar nada.
Como tudo que me apetecesse fazer já houvesse sido feito repetidas vezes
E viver se tornasse uma teoria vaga e superficial
Qual o fim de acumular experiências, emoções senão o fim (no sentido real da palavra)
Nada surpreende e empolga a alma fadigada e preguiçosa
Que despreza possíveis emoções
Joga fora o impreciso
E vive só de ar.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Alice
Os olhos grandes e redondos de quem está constantemente espantado,
As mãos de formas quase encantadoras, levemente calejadas,
Os cabelos tingidos com tinta barata lutavam para esconder a idade expressa nos olhos.
Fé cega sustentada pela Santa Ignorância e,
Um abismo foi criado pouco a pouco afim de separá-la desse mundo.
E lá está Alice, em sua realidade
na mais particular das versões reais da vida.
Do outro lado, eu.
No mundo de Alice os milagres acontecem e os problemas tem fáceis soluções.
Alice morreu para o mundo e nasceu para o homem
que carregava a verdade debaixo do braço, bem no sovaco.
Alice sentou-se na beira do abismo
cavado pelos missionários da Palavra
Cantou num desafinado clamor à piedade de Deus
Comeu do pão que cura e bebeu do sangue que liberta,
o pão que o Homem amassou, o sangue que o Homem derramou
Ficou cega, então o Senhor respondeu
Alice ainda ouvia e dava graças por isso
Gritou pelo Criador
Ele a chamou
-Vem Alice...
Alice mergulhou no abismo
E eu disse:
-Adeus Mãe!
As mãos de formas quase encantadoras, levemente calejadas,
Os cabelos tingidos com tinta barata lutavam para esconder a idade expressa nos olhos.
Fé cega sustentada pela Santa Ignorância e,
Um abismo foi criado pouco a pouco afim de separá-la desse mundo.
E lá está Alice, em sua realidade
na mais particular das versões reais da vida.
Do outro lado, eu.
No mundo de Alice os milagres acontecem e os problemas tem fáceis soluções.
Alice morreu para o mundo e nasceu para o homem
que carregava a verdade debaixo do braço, bem no sovaco.
Alice sentou-se na beira do abismo
cavado pelos missionários da Palavra
Cantou num desafinado clamor à piedade de Deus
Comeu do pão que cura e bebeu do sangue que liberta,
o pão que o Homem amassou, o sangue que o Homem derramou
Ficou cega, então o Senhor respondeu
Alice ainda ouvia e dava graças por isso
Gritou pelo Criador
Ele a chamou
-Vem Alice...
Alice mergulhou no abismo
E eu disse:
-Adeus Mãe!
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Soluções baratas me são um tanto quanto sedutoras. A morte me parece melhor que todas, a mais fácil, rápida e certa. Afinal entre morrer e comprar um cachorro a primeira opção é poupar esforços com a segunda, já que eu vou acabar morrendo e o cachorro também.Mas tentar morrer e não conseguir é pior que continuar vivendo pois é muito infeliz tentar tirar a própria vida e nem isso conseguir. Não creio que seja privar-se das emoções e das surpresas da vida, é apenas tomar tudo num gole. O cheiro da morte e o gosto dela são extremamente agradáveis.Não ter que conviver com gente, gente me cansa, me deixa preguiçosa e seriamente magoada. Gente me aponta e fala de mim, eu também falo da gente, porque gente é uma merda.Relacionar-me com pessoas foi sempre um grande problema, em dado momento dos relacionamentos acabo expulsando a gente toda. Sequer consigo manter firmes os laços que supostamente se desenvolveram das convivências, a gente começa a ficar chata, mandar em mim, querer saber e pronto, já me irritei. Nem sei mais se gosto de pouca gente, estou começando achar que não gosto é de gente nenhuma.Cuidado com o julgamento, pois não me agrada a idéia de matar os outros, de forma alguma sou assassina, mas morrer sozinha é um convite tentador, um acidente seria delicioso, andar despreocupada pela rua e de repente um carro passar em cima de mim, vou morrer num susto e nem vai doer. Ou quem sabe uma bala perdida, na fila do banco pagando as dívidas e um ladrão dá tiros e um me acerta. O problema é: se eu não morrer e ficar sequelada? Vou acabar dependendo dessa gente toda.O suícidio é bonito, privar as pessoas das mágoas que causarei e que elas causarão a mim, priva-las dos diálogos exaustivos e privar a minha mente cansada, talvez a única forma que um ser tão emotivo tenha de externar o amor pelo próximo, por toda essa gente. Mas se falhar, se não tomar pílulas suficientes, se amarelar na hora de atirar na cabeça, ou pular de um lugar não tão alto, não vai valer a humilhação da gente cuidando de mim, me aconselhando e declarando o amor divino na minha vida.Morrer ou não morrer, eis a questão.Deveria ter sido essa a frase de Shakespeare, ou melhor, morrer agora ou esperar conquistar muitas coisas e morrer? Todas as certezas cultivadas em vida são vãs, com exessão da morte, por isso a pobrezinha é endiabrada, enfeiada, as pessoas tem medo do que sabem que vai acontecer, mas eu não sou assim, gosto de saber, de ter uma certeza!Vai que Jesus desce e não me deixa morrer?! Quero gritar bem alto ME DEIXE MORRER, porque viver me cansa, me deixa fadigada. Abrir a boca e ver olhos espantados ao redor vai cansando, só é bom no começo, logo cansa, e cansa muito.Sentir que estou ultrapassando os limites já não é suficiente, acho que ultrapassei tudo que me limitava, a única coisa que me prende mesmo é viver. Fui largando aqueles conceitos defasados, jogando fora a historinha da moral, esquecendo o que era ética, fazendo o que me apetecia e usando o gerundio exaustivamente. De repente não consigo mais ver as linhas, as barreiras, o que resta a uma pessoa nesse estágio? A morte, oras, o limite máximo da vida, o único que se for ultrapassado uma vez não se pode voltar, ou pode?Quero ser uma formiga na próxima vida.
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