Todos os dias, ao acordar, se lavava, vestia-se com roupas mal passadas, arrumava os cabelos, e pintava a cara.
Todos os dias, escondia as olheiras, erupções de pele causadas pelo mal funcionamento do fígado, marcas de sol. Pintava os olhos, realçava os cílios, marcava a boca. Ainda não estava pronta.
Calçava-se, ainda não estava pronta.
Todos os dias, caminhava até o trabalho sem perceber os detalhes do trajeto, fumando um cigarro, cabeça erguida, mas não olhava para a frente. A caminhada era seu momento favorito, como se as velhas ruas do centro da cidade fossem levá-la a um novo lugar.
Pensava em como era cômico, e trágico, perder tudo que tem. Ficar sem dinheiro, perder pessoas queridas que ainda vivem, perder-se de si próprio, perder a paz. Se é que algum dia houve paz. Valorizava muito um sofá aconchegante e uma cama macia, apesar de não dormir muito, existe a paz no escuro de um quarto e conforto de uma cama.
Chegava num trabalho que não era nem de perto seu sonho, continuava lá porque se esqueceu do que queria. Sabia que no fundo ainda tinha algum brilho e até certa simpatia, se esforçava para doar esse resto de vida a eles. Sorria com os lábios pintados: Bom dia!
Todos os dias Ana falava com o amor, mas mesmo o amor pode não ser suficiente para nos manter vivos.
Todos os dias Ana pensava nas mesmas coisas, mas as respostas mudavam, e então ela ficava no mesmo lugar.
Parecia ser um novo dia! Sétimo andar, apartamento 701, uma nova perspectiva? Matou-se.
sábado, 23 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Vinte e
Vinte e poucos anos, quantos são os poucos? Os meus nem são, na verdade, o meu é 1. Vinte e um anos.
Parece um século. Tenho impressão de ter vivido demais, e uma leve frustração ao lembrar como pensei que seria minha vida aos vinte um. Vinte e um: um carro, um apartamento, um emprego legal. Vinte e um: casa dos pais, transporte coletivo, um emprego ruim.
Se estou triste? Não.
Vinte e um anos e muita história pra contar, e ainda mais histórias pra viver.
Posso dizer que como o destino, ou seja lá quem for que faz isso, se encarregou de escrever esses meus vinte e um anos me fez adulta bem cedo, comecei trabalhar primeiro que todos os meus amigos, e de certa forma, sempre “escolhi” o que queria fazer.
Tá que essas escolhas acarretaram uma lista quilométrica de merdas espalhadas por aí. Mas não tenho mais vergonha de nenhuma delas, foi quebrando a cara quase diariamente que me tornei essa mulher maravilhosa.
Mais um ano e chego a conclusão que preciso mudar de ares, um pouco mais de sossego em casa, de ser menos altruísta, de encontrar um novo emprego, mesmo que signifique menos grana porque quero experiência.
Um ano a mais e chego a conclusão que preciso de menos hedonismo também, encontrar equilíbrio no meio dessa bagunça que me meti sem querer..
Vinte e um anos, e na frente do espelho ainda encaro os não tão velhos olhinhos acuados, medrosos, mas vejo também uma mulher forte, segura de si. Vinte e um anos e pouco medo de deixar que o mundo enxergue quem sou.
Vinte e um anos, vinte e um anos, vinte e um... Não consigo parar de repetir e de pensar em como será. No mais, estou aqui. Que venham os vinte e poucos que estão faltando, os vinte e muitos e todo o resto!
"Quando me lembro de tudo, quando me visto de nada,
e me chove e descubro,
quanto você me esperava
eu tenho o tempo do mundo, tenho o mundo afora"
Parece um século. Tenho impressão de ter vivido demais, e uma leve frustração ao lembrar como pensei que seria minha vida aos vinte um. Vinte e um: um carro, um apartamento, um emprego legal. Vinte e um: casa dos pais, transporte coletivo, um emprego ruim.
Se estou triste? Não.
Vinte e um anos e muita história pra contar, e ainda mais histórias pra viver.
Posso dizer que como o destino, ou seja lá quem for que faz isso, se encarregou de escrever esses meus vinte e um anos me fez adulta bem cedo, comecei trabalhar primeiro que todos os meus amigos, e de certa forma, sempre “escolhi” o que queria fazer.
Tá que essas escolhas acarretaram uma lista quilométrica de merdas espalhadas por aí. Mas não tenho mais vergonha de nenhuma delas, foi quebrando a cara quase diariamente que me tornei essa mulher maravilhosa.
Mais um ano e chego a conclusão que preciso mudar de ares, um pouco mais de sossego em casa, de ser menos altruísta, de encontrar um novo emprego, mesmo que signifique menos grana porque quero experiência.
Um ano a mais e chego a conclusão que preciso de menos hedonismo também, encontrar equilíbrio no meio dessa bagunça que me meti sem querer..
Vinte e um anos, e na frente do espelho ainda encaro os não tão velhos olhinhos acuados, medrosos, mas vejo também uma mulher forte, segura de si. Vinte e um anos e pouco medo de deixar que o mundo enxergue quem sou.
Vinte e um anos, vinte e um anos, vinte e um... Não consigo parar de repetir e de pensar em como será. No mais, estou aqui. Que venham os vinte e poucos que estão faltando, os vinte e muitos e todo o resto!
"Quando me lembro de tudo, quando me visto de nada,
e me chove e descubro,
quanto você me esperava
eu tenho o tempo do mundo, tenho o mundo afora"
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Dormir de mãos dadas
Te amar é assistir um programa de TV bobo só pra poder ter mais o que dizer, pra participar um pouco mais das coisas que te atraem. É passar a noite em claro, tentando encontrar conforto no travesseiro pra disfarçar a saudade. Brigar por pouca coisa, ser e fazer do outro seu alvo de tensão, entender e dar gritos sem motivo. É dormir de mãos dadas. roubar o edredom, chorar de saudade. Dar a cara pra bater, o mundo bater cruelmente e você bater gostoso. É gritar sem motivo, quebrar garrafas, esconder as roupas pra você não se vestir tão cedo. Te ver partir hoje, sabendo que te verei amanhã e mesmo assim doer como se fosse ficar anos longe. Sentir paz no teu silêncio, no som da respiração, sorrir em te deixar sem fôlego. Preparar almoço na cama, deixar de comer, viver de amor. Isso! Te amar é viver de amor, por amor e cada dia um pouco mais. Te amar também é deixar de viver um monte de coisas que se parar pra pensar bem, nem vão fazer falta.
Te amar foi o que escolhi sem querer, e o que quero continuar fazendo.
Feliz dia <3 e obrigada, eu não saberia ser mais feliz que sou.
"Ali sinto tua alma a flutuar do corpo
Teus olhos se movendo, sem se abrir"
Ali, tão certo e justo e só ti sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir"
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Hoje acho que descobri que a força do homem não tem limites, aliás, tem sim, mas são maiores do que o esperado. Que bom, palmas!
Mas eu posso desmoronar, descer do salto, gritar, chorar muito só as vezes? Só quando não conseguir mais aguentar. Aonde se esconde a força que as vezes pareço ter tanto, e outras nada? Será que quanto mais forte tentamos ser mais a vida fica difícil? Será que superação nos faz mesmo seres elevados, ou com um disfarce mais convicente?
Acho que no fim das contas, todos somos fracos. Alguns mais, outros menos, ainda não descobri o meu limite mas parece faltar pouco.
É isso, só quero saber: qual o limite do medo?

http://www.youtube.com/watch?v=IETfCzwSU6k&feature=related
domingo, 15 de maio de 2011
Novos Universos

"Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim"
Noel Rosa - Filosofia
http://www.youtube.com/watch?v=-VR0mmuacW4&feature=player_embedded
A música do Noel Rosa, interpretada por Paulinho da Viola. Pra tomar coragem! :D
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